O artigo Em defesa da
família tentacular, da psicanalista brasileira Maria Rita Kehl, aborda o
conceito de família tentacular, perfeitamente definida na recente atualização
do termo família no Dicionário Houaiss: “Núcleo social de pessoas unidas por
laços afetivos que, geralmente, compartilham o mesmo espaço e mantém entre si
relação solidária”, no qual é contrária aquela difundida estrutura familiar
nuclear – pai, mãe e filho.
Essa questão foi levantada
quando os psicanalistas perceberam que muitos dos seus pacientes queixam-se
sobre não terem uma “família normal”, isso se deve a mudança do poder
patriarcal para um poder dividido entre os integrantes do núcleo social
afetivo, no que vem proporcionando, de acordo com a mídia, um aumento no número
de separações, da idade em que as mulheres estão decidindo-se dispor ao
matrimônio e do número de relações não legalizadas. No entanto, não são consequências
degradantes, elas retratam a sociedade contemporânea, a mulher deixou o estereótipo
de “bela, recatada e do lar”, ganhou espaço no mercado de trabalho e liberdade
na sua vida sexual com a democratização dos anticoncepcionais; esse
empoderamento feminino foi e ainda é visto pelos conservadores como a causa da
dissolução do formato nuclear da família e dos costumes, principalmente, responsável
em relação ao comportamento de crianças e de adolescentes - a exemplo de pessoa
que propaga esse tipo de discurso é o deputado federal Jair Bolsonaro, que nada
mais é que um representante dessa massa conservadora existente no Brasil.
Dessa maneira, é
exemplificado de modo sutil no filme, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias,
o ponto dos ‘desaparecidos políticos’ no período da ditadura militar
brasileira, assunto enfatizado na palestra Precisamos Falar Sobre Ditadura
ocorrida no auditório Luiz Gonzaga do Centro de Humanidades III da Universidade
Federal do Ceará (UFC). Num momento conturbado no qual se encontra a nação em
contexto, onde um golpe de Estado foi, diferentemente de 64, ministrado por ‘políticos
de paletó’ e não por militares, boa parte da população tem receio da volta
desse tempo repressor, por isso esta palestra tinha por objetivo relembrar
aqueles que sofreram tortura, foram exilados, assassinados, e dizer que “O erro
está em achar que Direitos Humanos são para humanos direitos” – expressão da
palestrante. Esses objetivos foram repetidos na Aula Pública, que aconteceu no
Bosque das Letras da UFC, na qual docentes e discentes tomaram voz para dizer
que a Universidade Federal do Ceará é a favor da Liberdade de expressão, da
diversidade e dizer ser contra o golpe.
Portanto, pode-se perceber
que somente o respeito e a união trará a boa convivência no país da
diversidade, pois uma herança histórica é difícil de contornar-se.
Referências
O ANO em que Meus Pais Saíram de Férias. Direção: Cao Hamburger. 2006. 1h50min.
PRECISAMOS FALAR SOBRE DITADURA. Fortaleza: UFC, 2016.
AULA PÚBLICA. Fortaleza: UFC, 2016.
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