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06 outubro 2016

Ensaio sobre sociedade e política



O artigo Em defesa da família tentacular, da psicanalista brasileira Maria Rita Kehl, aborda o conceito de família tentacular, perfeitamente definida na recente atualização do termo família no Dicionário Houaiss: “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos que, geralmente, compartilham o mesmo espaço e mantém entre si relação solidária”, no qual é contrária aquela difundida estrutura familiar nuclear – pai, mãe e filho.
Essa questão foi levantada quando os psicanalistas perceberam que muitos dos seus pacientes queixam-se sobre não terem uma “família normal”, isso se deve a mudança do poder patriarcal para um poder dividido entre os integrantes do núcleo social afetivo, no que vem proporcionando, de acordo com a mídia, um aumento no número de separações, da idade em que as mulheres estão decidindo-se dispor ao matrimônio e do número de relações não legalizadas. No entanto, não são consequências degradantes, elas retratam a sociedade contemporânea, a mulher deixou o estereótipo de “bela, recatada e do lar”, ganhou espaço no mercado de trabalho e liberdade na sua vida sexual com a democratização dos anticoncepcionais; esse empoderamento feminino foi e ainda é visto pelos conservadores como a causa da dissolução do formato nuclear da família e dos costumes, principalmente, responsável em relação ao comportamento de crianças e de adolescentes - a exemplo de pessoa que propaga esse tipo de discurso é o deputado federal Jair Bolsonaro, que nada mais é que um representante dessa massa conservadora existente no Brasil.
Dessa maneira, é exemplificado de modo sutil no filme, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, o ponto dos ‘desaparecidos políticos’ no período da ditadura militar brasileira, assunto enfatizado na palestra Precisamos Falar Sobre Ditadura ocorrida no auditório Luiz Gonzaga do Centro de Humanidades III da Universidade Federal do Ceará (UFC). Num momento conturbado no qual se encontra a nação em contexto, onde um golpe de Estado foi, diferentemente de 64, ministrado por ‘políticos de paletó’ e não por militares, boa parte da população tem receio da volta desse tempo repressor, por isso esta palestra tinha por objetivo relembrar aqueles que sofreram tortura, foram exilados, assassinados, e dizer que “O erro está em achar que Direitos Humanos são para humanos direitos” – expressão da palestrante. Esses objetivos foram repetidos na Aula Pública, que aconteceu no Bosque das Letras da UFC, na qual docentes e discentes tomaram voz para dizer que a Universidade Federal do Ceará é a favor da Liberdade de expressão, da diversidade e dizer ser contra o golpe.
Portanto, pode-se perceber que somente o respeito e a união trará a boa convivência no país da diversidade, pois uma herança histórica é difícil de contornar-se.



Referências
KEHL, Maria Rita. Em defesa da família tentacular. 2003. P. 1-17.
O ANO em que Meus Pais Saíram de Férias. Direção: Cao Hamburger. 2006. 1h50min.
PRECISAMOS FALAR SOBRE DITADURA. Fortaleza: UFC, 2016.
AULA PÚBLICA. Fortaleza: UFC, 2016.

.lll.

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